Marcello José Abbud, diretor da Ecodust Ambiental e referência em tecnologias inovadoras para tratamento de resíduos sólidos urbanos, tem acompanhado de perto os fatores que determinam o sucesso ou o fracasso de uma iniciativa de construção de uma usina de tratamento de resíduos. Afinal, construir uma usina de tratamento de resíduos sólidos urbanos é uma das decisões mais complexas que um gestor público pode tomar. Os custos são altos, os prazos são longos, os passivos ambientais mal gerenciados geram consequências graves, e os projetos mal executados podem transformar uma solução em um problema ainda maior.
O Brasil acumula um histórico ambíguo nessa área, já que há casos bem-sucedidos de usinas de triagem, compostagem e tratamento mecânico-biológico operando com eficiência em municípios de diferentes portes. Mas há também um número expressivo de estruturas abandonadas, subutilizadas ou que nunca chegaram a operar conforme o projeto original, desperdiçando recursos públicos e agravando o problema que deveriam resolver.
O que diferencia os projetos bem-sucedidos?
A análise de casos nacionais e internacionais aponta para um conjunto consistente de fatores associados ao sucesso. O primeiro é o diagnóstico prévio da composição gravimétrica dos resíduos: sem saber exatamente o que está sendo gerado, é impossível escolher a tecnologia adequada. O segundo fator é a viabilidade logística real, que considera distâncias de transporte, condições das vias e capacidade de recepção da usina. O terceiro é o modelo de governança, que define claramente responsabilidades operacionais, metas de desempenho e mecanismos de fiscalização.
No entendimento de Marcello José Abbud, projetos que ignoram qualquer um desses pilares tendem a enfrentar problemas sérios nos primeiros anos de operação.
Tecnologia adequada ao contexto
Outro erro recorrente é a escolha de tecnologias desenvolvidas para contextos muito diferentes do brasileiro. Usinas projetadas para resíduos com alto poder calorífico, por exemplo, podem ter desempenho muito inferior quando alimentadas com resíduos úmidos, como ocorre em boa parte das cidades brasileiras, onde a fração orgânica representa entre 45% e 60% do total coletado.

A Ecodust Ambiental, sob a direção de Marcello José Abbud, tem desenvolvido soluções adaptadas a essa realidade, priorizando tecnologias que lidam eficientemente com resíduos de alta umidade e que podem ser escaladas conforme a capacidade do município cresce.
O papel da gestão pós-implantação
Um problema frequentemente subestimado é a ausência de planejamento para a operação contínua da usina após a implantação. Marcello José Abbud elucida que, na prática, muitos projetos recebem investimento robusto na fase de construção, mas não preveem recursos adequados para manutenção, capacitação de equipe e atualização tecnológica ao longo do tempo.
Em vista disso, o resultado são estruturas que funcionam bem nos primeiros anos e vão perdendo eficiência progressivamente, sem que haja mecanismos claros para identificar e corrigir os problemas.
O que os próximos anos vão exigir?
Marcello José Abbud destaca que, com o avanço das metas da Política Nacional de Resíduos Sólidos e a pressão crescente por encerramento de lixões, a demanda por usinas de tratamento tende a aumentar significativamente nos próximos anos. Por isso, municípios que começarem agora a estruturar diagnósticos e planos de implantação estarão em posição mais favorável para acessar recursos federais e captar investimentos privados.
A janela está aberta. O que vai determinar quais projetos funcionarão de verdade é a qualidade do planejamento feito hoje.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez