Pix mais seguro: como a nova tecnologia do Banco Central rastreia dinheiro roubado por golpistas

Diego Velázquez
Diego Velázquez

MED 2.0 chega a 100% de cobertura em junho de 2026 e usa rastreamento em cascata para recuperar valores desviados em fraudes.

A partir deste mês, o sistema que protege o dinheiro de quem usa Pix no Brasil ganhou sua versão mais completa. O Banco Central confirmou que o MED 2.0, o Mecanismo Especial de Devolução, atingiu cobertura total de rastreamento em 11 de junho de 2026, depois de meses de implementação gradual. A novidade resolve um dos maiores problemas de segurança do Pix desde sua criação: até pouco tempo, bastava o golpista transferir o dinheiro roubado para uma segunda conta para que o rastro se perdesse por completo. Entender como essa tecnologia funciona agora é essencial para qualquer pessoa que movimenta dinheiro pelo Pix todos os dias.

O problema que a nova tecnologia resolve é antigo e tem números que ajudam a entender sua urgência. Em 2025, o mecanismo anterior conseguiu recuperar apenas pouco mais de 9% dos valores contestados, e no início de 2026 essa taxa girava perto de 13%, ou seja, de cada R$ 100 desviados por fraude, menos de R$ 14 voltavam para a vítima. Diante desse cenário, o Banco Central decidiu reformular completamente a tecnologia de rastreamento por trás do sistema, criando uma ferramenta capaz de seguir o dinheiro por onde ele for, mesmo depois de passar por várias contas diferentes. Data Rudder

A tecnologia por trás do rastreamento em cascata

A grande mudança trazida pelo MED 2.0 está na forma como o sistema acompanha o caminho do dinheiro depois de um golpe. A versão original do Mecanismo Especial de Devolução, criada em 2021, tinha uma limitação crítica: o rastreamento parava na primeira conta de destino, e se o golpista transferisse o valor para outra conta logo em seguida, o dinheiro simplesmente saía do radar. Essa brecha tecnológica era amplamente conhecida pelos criminosos, que pulverizavam os valores roubados em segundos para dificultar qualquer tentativa de bloqueio. Estado de Minas

A nova versão ataca exatamente esse ponto fraco. O MED 2.0 introduz o rastreio em múltiplas camadas, também chamado de grafos de profundidade, permitindo que o sistema acompanhe o dinheiro mesmo após diversas transferências sucessivas entre contas diferentes. Na prática, isso significa que os bancos agora conseguem seguir o rastro do valor desviado por até cinco contas subsequentes, mesmo que o fraudador tente esconder o dinheiro pulando de conta em conta. É essa camada extra de inteligência tecnológica que torna o novo mecanismo muito mais eficaz do que o anterior. MateraEstado de Minas

A implementação dessa tecnologia foi gradual e aconteceu em etapas bem definidas pelo Banco Central. A produção inicial do MED 2.0 começou em 11 de maio de 2026 com apenas 5% das recuperações passando pelo rastreio ampliado, percentual que subiu progressivamente até chegar a 100% das recuperações completamente mapeadas em 11 de junho de 2026. Esse modelo de implantação escalonada permitiu que bancos e fintechs ajustassem seus sistemas internos sem comprometer a operação do Pix, que já processa um volume gigantesco de transações diariamente. Data Rudder

Como funciona na prática para quem é vítima de golpe

Do ponto de vista de quem usa o aplicativo do banco no dia a dia, a tecnologia foi pensada para ser simples de acionar. Ao identificar uma transação suspeita, o cliente pode selecionar o Pix no extrato e optar por contestar ou reportar fraude, com o pedido processado de forma digital e automática, sem necessidade de conhecimento técnico. Esse autoatendimento elimina a antiga dependência de centrais de atendimento telefônico, que costumavam atrasar a resposta justamente nos minutos mais decisivos após um golpe. InfoMoney

Depois que a contestação é registrada, o relógio começa a contar de forma diferente da versão anterior do mecanismo. Conforme explicado pela Agência Brasil, a instituição de origem comunica a instituição recebedora em até 30 minutos, e o sistema agora rastreia o caminho do dinheiro em casos de fraude por até cinco contas subsequentes. O Banco Central estima que os valores possam ser recuperados em até 11 dias após a contestação, prazo mais curto do que o praticado anteriormente, graças à troca de informações mais ágil entre as instituições envolvidas. Terra Brasil NotíciasAgência Brasil

O impacto esperado dessa tecnologia é significativo, segundo as próprias estimativas oficiais. Especialistas estimam que as mudanças podem diminuir em até 40% os golpes considerados bem-sucedidos no sistema, já que o aumento da chance de recuperação reduz o incentivo financeiro para quem pratica esse tipo de crime. Vale destacar que, mesmo com toda essa evolução tecnológica, o sistema do Pix em si nunca foi invadido, e os golpes continuam explorando a confiança da vítima, e não vulnerabilidades técnicas da plataforma, o que reforça a importância de o usuário continuar atento a abordagens suspeitas por telefone, mensagem ou aplicativos falsos. Agência BrasilTerra Brasil Notícias

Para quem usa o Pix no dia a dia, a chegada da cobertura total do MED 2.0 representa um avanço real na proteção contra fraudes, mas não substitui o cuidado básico na hora de fazer uma transferência. A tecnologia consegue seguir o dinheiro por mais contas do que antes, porém a recuperação integral ainda depende de haver saldo disponível na conta do golpista no momento do bloqueio. Por isso, a orientação de especialistas e do próprio Banco Central continua a mesma: ao perceber qualquer movimentação suspeita, o ideal é contestar a transação imediatamente pelo aplicativo do banco, já que cada minuto de atraso reduz as chances de recuperar o valor roubado.

Fontes:

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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