Os segredos para manter a autoridade sem perder a empatia ao liderar  

Conrad Ellstrom
Conrad Ellstrom
Alfredo Moreira Filho

Equipes desconfiam de duas figuras opostas. O chefe que nunca reconhece erro é o chefe que muda de posição a cada conversa. Os dois produzem o mesmo efeito prático: ninguém sabe o que vai acontecer depois de uma reunião. Manter humildade e firmeza ao mesmo tempo na liderança é, antes de tudo, um problema de previsibilidade, e não de temperamento, como observa o empresário Alfredo Moreira Filho, que construiu carreira entre a engenharia agronômica e a gestão empresarial.

As perguntas a seguir aparecem com frequência em programas de desenvolvimento de liderança. As respostas fogem do conselho genérico de equilibrar as duas coisas, porque equilíbrio não é instrução executável.

Humildade não passa insegurança para a equipe?

Passa quando recai sobre a própria autoridade. Frases como “não sei se sou a pessoa certa para isso” transferem à equipe um problema que ela não pode resolver. O time não tem instrumento para tranquilizar o líder, então apenas registra o risco.

Humildade útil recai sobre a informação, não sobre a posição. Dizer que os dados disponíveis são incompletos e que a decisão será revista se novo dado aparecer descreve um método. A equipe entende exatamente o que ocorre em seguida, e isso sustenta autoridade em vez de corroê-la.

Como mudar de decisão sem parecer indeciso?

Anunciando antes o critério de revisão. Uma decisão tomada com a informação de hoje deve vir acompanhada da condição que a faria mudar: se o custo passar de determinado patamar, se o fornecedor atrasar duas vezes, se o teste não atingir a marca combinada.

Quando a mudança chega sem esse aviso prévio, o time lê capricho. Quando chega dentro de uma condição já declarada, lê cumprimento do combinado. É a mesma reversão, com efeitos opostos sobre a confiança, e a diferença toda está em ter falado antes.

Quando admitir erro na frente do time?

Sempre que o erro já for visível para ele. Silêncio sobre falha evidente não protege a autoridade; produz um segundo problema, porque a equipe passa a discutir o assunto sem o líder. Admitir cedo encerra a conversa paralela.

O modo importa mais do que o momento. Reconhecer o erro, indicar o que será feito e seguir adiante basta. Confissões longas e autocríticas repetidas deslocam o foco para o desconforto do líder, e alguém acaba tendo de consolá-lo. Alfredo Moreira, em suas memórias, aponta episódios em que a percepção do próprio erro veio antes de qualquer cobrança externa, o que reduz o custo da correção.

Como ser firme sem virar autoritário?

Separando o momento do debate do momento da execução. Antes da decisão, a discordância é insumo e deve ser buscada de forma ativa, inclusive de quem tende a calar. Depois da decisão, a discordância vira ruído operacional, e o líder tem a obrigação de dizer isso com clareza.

Um gestor que abre a reunião dizendo qual caminho prefere já contaminou o debate, porque poucos contrariam a preferência declarada de quem assina a avaliação. Ouvir primeiro e posicionar-se por último custa alguns minutos e melhora a qualidade da informação que chega.

Autoritarismo não é firmeza excessiva. É firmeza aplicada na hora errada, normalmente na fase em que ainda se deveria ouvir. Quem fecha o debate cedo demais toma decisões piores e ainda gasta autoridade para sustentá-las depois.

O que a equipe avalia de verdade?

Ninguém mede humildade e firmeza em separado. O que se mede, na prática cotidiana, é consistência entre o que o líder disse que faria e o que ele fez quando a situação apertou. Um chefe duro e previsível costuma gerar mais segurança do que um chefe simpático e imprevisível.

Formações apoiadas em valores éticos e morais, como a que Alfredo Moreira Filho atribui à casa dos pais no interior da Bahia, tendem a produzir esse tipo de constância. Não porque tornem a liderança mais branda, mas porque fixam um critério que não muda conforme a plateia.

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