Eficiência fiscal: como otimizar tributos sem atrair a fiscalização?

Conrad Ellstrom
Conrad Ellstrom
Victor Maciel

Victor Maciel, advogado tributarista e fundador do Victor Maciel Advogados, observa o cenário hipotético em que o mesmo empresário costuma receber dois conselhos opostos na mesma semana. Um recomenda aproveitar toda oportunidade de reduzir tributos, enquanto o outro sugere não mexer em nada, para não chamar atenção da fiscalização. Entre os dois, muitas empresas escolhem a paralisia: seguem pagando mais do que a lei exige por medo de um risco que nunca chegaram a medir. Eficiência fiscal e conformidade aparecem, nessa leitura, como escolhas rivais. 

Avalia-se que essa oposição não se sustenta na rotina das empresas, porque a fiscalização raramente questiona o tamanho da economia. O que ela examina é a construção da decisão que levou até ali. Duas empresas podem chegar ao mesmo resultado; só uma consegue mostrar como chegou.

O que a fiscalização examina quando revisa uma economia?

Uma holding constituída três meses antes da venda de um imóvel chama mais atenção do que uma estrutura que existe há anos e movimenta contratos reais. Não é o formato jurídico que decide a análise, e sim a cronologia dos atos e a coerência entre a estrutura e a atividade exercida. Reorganização sem substância econômica tende a ser desconsiderada, por mais elegante que seja no papel.

Daí a importância da prova produzida no tempo certo. Ata que registra a razão do negócio na data em que ele foi decidido, laudo de avaliação, contrato assinado antes da operação e não depois: esse conjunto sustenta a escolha anos mais tarde. Quando a justificativa só passa a existir no dia em que o auditor pergunta, ela nasceu tarde e pesa pouco.

A economia sem rastro documental vira passivo no balanço

O custo de uma estrutura mal documentada não aparece no mês seguinte. Aparece na hora de vender participação, captar investimento ou tomar crédito, quando o comprador manda auditar os últimos anos e encontra uma contingência sem defesa organizada. De acordo com Victor Maciel, o desconto negociado nesse momento costuma superar tudo o que a estrutura economizou enquanto ninguém olhava.

Victor Maciel
Victor Maciel

Quanto vale uma economia que precisa ser provisionada? A resposta raramente é confortável. Contingência provisionada consome resultado, encarece o crédito bancário, trava distribuição de lucros e ocupa a diretoria por meses. Some a isso multa e juros de mora em caso de autuação, e a conta pode devolver com correção aquilo que foi poupado.

No IVA dual, a decisão informada vale mais que o regime barato

Uma empresa do Simples Nacional que vende para outras empresas já sente o efeito antes mesmo da virada completa: o cliente compara fornecedores pelo crédito que consegue aproveitar, não apenas pelo preço da nota. A opção pelo regime regular de IBS e CBS entra na mesa como decisão comercial, e não como preferência contábil.

Essa escolha exige projeção, não intuição. É preciso simular margem, preço e caixa nos dois cenários, considerar o perfil dos clientes e registrar o critério que embasou a decisão. Victor Maciel comenta que empresas que documentam o porquê de cada opção chegam à fiscalização com metade do trabalho pronto e chegam à negociação com o banco em posição melhor.

Segurança e resultado não disputam o mesmo espaço

Não decidir também é uma decisão, e ela cobra caro. A empresa que congela a estrutura por receio acumula pagamento indevido, perde competitividade em licitações e concorrências privadas e, ainda assim, continua exposta, porque erro de classificação e falha de escrituração não pedem autorização para acontecer. Imobilidade não é neutralidade, é risco assumido sem cálculo.

Conformidade, vista de perto, é o que permite crescer sem sustos. Ela transforma risco difuso em número conhecido, e número conhecido pode ser aceito, reduzido ou precificado. Quem sabe exatamente quanto risco carrega, escolhe onde avançar e onde recuar. Quem não sabe depende da sorte, e sorte não é método de gestão.

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