Dólar cai para perto de R$ 5,10 na volta do feriado com eleições e petróleo no radar

Conrad Ellstrom
Conrad Ellstrom

Moeda americana recua frente ao real nesta terça-feira, enquanto investidores avaliam pesquisas eleitorais, petróleo, juros e novas projeções para a economia brasileira.

O dólar iniciou esta terça-feira, 8 de setembro de 2026, em queda frente ao real, na retomada dos negócios depois do feriado da Independência. Pouco depois da abertura, a moeda americana era negociada ao redor de R$ 5,11, mantendo a tendência de valorização recente da moeda brasileira. Às 9h04, o dólar à vista recuava 0,31%, para R$ 5,1138 na venda. (UOL Economia)

O mercado doméstico começou o dia avaliando principalmente novas pesquisas sobre a eleição presidencial de outubro. Levantamentos apontando uma disputa mais apertada passaram a influenciar as expectativas dos investidores sobre o cenário político e, principalmente, sobre os rumos da política fiscal a partir de 2027. Na semana anterior, o dólar já havia recuado da região de R$ 5,19 para aproximadamente R$ 5,13. (UOL Economia)

No exterior, o petróleo voltou a ocupar o centro das atenções. O Brent permanecia próximo dos maiores níveis registrados desde junho, em meio às tensões no Oriente Médio. Energia mais cara pode pressionar a inflação internacional e interferir nas decisões dos principais bancos centrais, criando um contraponto ao movimento favorável ao real observado no Brasil. (BOL)

O ambiente econômico doméstico também influencia as negociações. O Boletim Focus divulgado nesta terça reduziu a estimativa de inflação para 2026 para 5% e elevou ligeiramente a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 1,93%. A expectativa para o dólar no fim do ano permaneceu em R$ 5,20. (Poder360)

Por que o dólar está caindo nesta terça-feira?

O primeiro elemento é o cenário político brasileiro. As pesquisas eleitorais mais recentes indicaram uma disputa presidencial apertada, e parte dos participantes do mercado passou a avaliar as possíveis consequências desse cenário para a política econômica e fiscal do próximo governo. Esse ajuste de expectativas contribuiu para o movimento observado no câmbio. (UOL Economia)

Na sexta-feira (4), última sessão antes do feriado, o dólar à vista havia encerrado com alta de 0,50%, cotado a R$ 5,1296. Nesta terça, porém, a direção se inverteu logo depois da abertura. O contrato futuro de dólar para outubro também recuava no início dos negócios, negociado perto de R$ 5,1380 às 9h04. (UOL Economia)

O movimento também aparece no mercado de juros. As taxas dos contratos futuros de médio e longo prazo recuavam durante a manhã, acompanhando a valorização do real. Por volta das 9h13, o DI para janeiro de 2029 caía de 13,855% para 13,815%, enquanto o vencimento de janeiro de 2031 recuava de 14,096% para 14,040%. (UOL Economia)

Outro fator importante continua sendo o diferencial de juros entre Brasil e outras grandes economias. Juros brasileiros elevados podem tornar ativos denominados em reais mais atraentes para determinados investidores internacionais, embora essa relação dependa também de risco fiscal, inflação, política monetária americana e percepção sobre mercados emergentes.

Por isso, a queda desta terça não pode ser atribuída a um único fator. Política, juros, fluxo estrangeiro, commodities e ambiente internacional atuam simultaneamente sobre o preço da moeda americana.

Como petróleo e juros influenciam o câmbio?

O petróleo representa o principal ponto de atenção externo nesta terça-feira. O Brent para entrega em dezembro era negociado a aproximadamente US$ 94,85 por barril por volta das 9h, segundo os dados acompanhados pelo mercado. O preço continua próximo de patamares elevados em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio. (BOL)

A relação entre petróleo e câmbio é complexa. O Brasil é exportador da commodity, e preços elevados podem favorecer receitas de exportação e empresas do setor. Ao mesmo tempo, uma alta prolongada do petróleo tende a aumentar custos de energia e transporte internacionalmente, pressionando índices de preços.

Caso essa pressão inflacionária persista, bancos centrais podem manter juros elevados por mais tempo ou adotar políticas monetárias mais restritivas. Taxas maiores em economias desenvolvidas, especialmente nos Estados Unidos, podem aumentar a atratividade de ativos considerados mais seguros e reduzir recursos direcionados aos mercados emergentes.

O mercado também acompanha a próxima decisão do Banco Central Europeu. A combinação entre petróleo caro, inflação e atividade econômica voltou a aumentar a importância das decisões de política monetária internacional para moedas como o real.

No Brasil, o Focus trouxe sinais mistos, mas importantes. A previsão mediana para o IPCA de 2026 caiu de 5,01% para 5%, enquanto a estimativa do PIB avançou de 1,92% para 1,93%. Já a projeção para a taxa Selic no fim do ano permaneceu em 13,75%. (Poder360)

Esse conjunto de expectativas ajuda a explicar por que o mercado de câmbio permanece sensível tanto às notícias domésticas quanto às internacionais.

O que esperar do dólar nos próximos dias?

A cotação pode continuar apresentando volatilidade. Um dos principais indicadores desta semana será o IPCA de agosto, previsto para sexta-feira (11). No mesmo dia, investidores também acompanharão dados de inflação dos Estados Unidos, capazes de alterar as expectativas para a política monetária americana. (InvesTalk)

As pesquisas eleitorais devem continuar influenciando os ativos brasileiros. Como a eleição presidencial se aproxima, novas informações sobre intenções de voto e propostas econômicas podem alterar rapidamente as expectativas sobre política fiscal, gastos públicos, dívida e trajetória dos juros.

O Banco Central também segue atuando no mercado por meio dos instrumentos cambiais disponíveis. Nesta terça-feira estava previsto um leilão de 50 mil contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 1º de outubro. (UOL Economia)

Para consumidores, uma queda sustentada do dólar pode ajudar a reduzir custos relacionados a produtos importados, viagens internacionais e determinados componentes utilizados pela indústria. O impacto, entretanto, não costuma ser imediato, pois preços também dependem de estoques, contratos, impostos, margens e outros custos.

Para empresas exportadoras, a dinâmica é diferente. Um real mais valorizado reduz o valor em moeda brasileira obtido pela conversão de receitas em dólares, embora empresas também possam se beneficiar de custos menores para insumos importados.

O cenário desta terça-feira mostra, portanto, um real mais forte na abertura, mas dentro de um ambiente ainda sujeito a mudanças rápidas. Eleições, petróleo, inflação e juros internacionais devem continuar determinando a direção do câmbio nas próximas sessões.

A projeção mediana do mercado para o fim de 2026 continua em R$ 5,20 por dólar, segundo o Focus. Como sempre, essa estimativa representa a expectativa dos participantes consultados naquele momento e pode mudar conforme novas informações econômicas e políticas forem divulgadas. (UOL Economia)

Fontes: UOL Economia — Dólar abre em baixa, a R$ 5,11 · Reuters — Dólar abre em baixa após novas pesquisas eleitorais · InfoMoney — Dólar cai para perto de R$ 5,10 nesta terça-feira · Banco do Brasil/Investalk — Cenário dos mercados em 8 de setembro.

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