O Doutor Yuri Silva Portela, pós-graduado em geriatria, considera que o cuidado com a saúde na terceira idade precisa ir além do tratamento de doenças já diagnosticadas. O envelhecimento traz mudanças no organismo que merecem acompanhamento, mas não significa necessariamente adoecer. Algumas condições exigem atenção especial por poderem comprometer a autonomia, permanecer silenciosas ou afetar diferentes áreas da vida ao mesmo tempo.
Leia mais a seguir!
Confira com o Doutor Yuri Silva Portela quais doenças crônicas precisam de acompanhamento
Hipertensão, diabetes, alterações do colesterol e doenças cardiovasculares estão entre os problemas que podem exigir acompanhamento contínuo na terceira idade. Muitas dessas condições podem evoluir durante um período sem provocar sintomas claros, o que torna o acompanhamento regular importante para identificar alterações e avaliar se os cuidados adotados estão funcionando. Manter esse acompanhamento também permite perceber mudanças antes que elas interfiram de maneira mais significativa na rotina do idoso.
A hipertensão, por exemplo, pode aumentar o risco de complicações cardiovasculares, renais e neurológicas quando não é controlada adequadamente. O diabetes também exige atenção porque pode afetar circulação, visão, rins e nervos. O acompanhamento permite observar essas condições e ajustar o cuidado conforme as necessidades individuais. Além disso, reconhecer possíveis alterações precocemente pode favorecer a adoção de medidas que contribuam para evitar o agravamento de determinados problemas.
Entretanto, como destaca o Doutor Yuri Silva Portela, controlar uma doença crônica não significa apenas acompanhar resultados de exames. Alimentação, atividade física, medicamentos utilizados e hábitos cotidianos também fazem parte da avaliação. Observar como esses fatores se relacionam ajuda a construir uma rotina de cuidados mais consistente e prepara o caminho para outro ponto importante: a prevenção de quedas. A atenção a esses diferentes aspectos permite que o acompanhamento considere a saúde do idoso de forma mais ampla, sem concentrar o cuidado em apenas uma condição.
Por que as quedas merecem tanta atenção?
Quedas estão entre os acontecimentos que podem alterar rapidamente a rotina de uma pessoa idosa. Uma lesão pode exigir tratamento e reduzir a mobilidade, enquanto o medo de cair novamente pode fazer com que o idoso diminua suas atividades, mesmo quando não houve uma consequência física grave. Por isso, como comenta o Doutor Yuri Silva Portela, uma queda também pode afetar a confiança para realizar tarefas simples, aumentando a insegurança durante os deslocamentos.

Diversos fatores podem contribuir para esse risco. Alterações no equilíbrio, perda de força muscular, dificuldades de visão, problemas de mobilidade e determinados medicamentos estão entre os aspectos que precisam ser avaliados. O ambiente doméstico também merece atenção, principalmente quando existem tapetes soltos, iluminação insuficiente ou obstáculos nos locais de passagem. Identificar essas condições permite pensar em mudanças no ambiente e na rotina que contribuam para tornar os deslocamentos mais seguros.
Quando alterações na memória exigem investigação?
Esquecimentos ocasionais podem acontecer em qualquer idade, mas mudanças persistentes na memória, na orientação, no comportamento ou na capacidade de realizar atividades cotidianas precisam ser avaliadas. Nem toda alteração cognitiva representa demência, já que diferentes condições podem interferir temporariamente ou progressivamente no funcionamento mental.
Segundo o Doutor Yuri Silva Portela, a observação da rotina pode ajudar a perceber essas mudanças. Dificuldade para administrar compromissos, repetir perguntas constantemente, perder-se em locais conhecidos ou apresentar problemas para realizar tarefas habituais são situações que podem justificar uma avaliação profissional. Quanto mais clara for a percepção sobre o que mudou, mais informações estarão disponíveis para a investigação.
A saúde mental também precisa fazer parte dessa análise. Tristeza persistente, isolamento, perda de interesse por atividades e alterações importantes no sono podem indicar sofrimento emocional. Esses sinais não devem ser classificados automaticamente como consequências naturais da idade, principalmente quando representam uma mudança em relação ao comportamento habitual.