A creatina deixou de ser um tema exclusivo entre fisiculturistas. No Método LP, desenvolvido pelo nutricionista esportivo Lucas Peralles, ela é tratada como uma ferramenta com indicação específica, e não como um atalho. O suplemento figura entre os mais vendidos do país e é frequentemente buscado por praticantes de exercícios físicos, por aqueles que desejam aumentar a massa muscular, bem como por mulheres e pessoas com mais de 50 anos.
A popularidade do tema também gerou dúvidas e desinformação. A creatina pode causar ganho de peso? Há efeitos colaterais para a saúde renal? É necessária uma fase de saturação? Essa dieta é recomendada para pessoas que não se dedicam à musculação? Muitas dessas questões circulam acompanhadas de respostas contraditórias, o que dificulta a tomada de decisão quanto ao uso do suplemento.
Este guia reúne o que se sabe sobre a creatina: o que ela é, como age no organismo, quais benefícios têm respaldo científico, quem pode se beneficiar e quais cuidados devem ser observados antes de incluí-la na rotina.
O que é a creatina e como ela age no músculo?
A creatina é um composto que o organismo é capaz de produzir de modo autônomo, principalmente no fígado e nos rins, a partir de aminoácidos. Ademais, a substância é obtida por meio da alimentação, sobretudo em carnes e peixes. A maior parte é armazenada nos músculos, na forma de fosfocreatina, constituindo uma reserva rápida de energia.
Essa reserva é empregada em esforços breves e intensos, tais como uma série de musculação, um tiro de corrida ou um salto. O aumento dos estoques musculares de creatina, decorrente da suplementação, permite que o músculo regenere energia com mais celeridade, possibilitando a realização de mais repetições, o sustento de cargas maiores e o acúmulo de mais estímulo de treino ao longo das semanas.
O especialista em comportamento alimentar Lucas Peralles constata, no Método LP, que esse mecanismo explica tanto o potencial quanto o limite do suplemento. A creatina amplia a capacidade de treino, mas o ganho de massa muscular continua dependendo do treino de força progressivo, da alimentação adequada e da regularidade.
Os benefícios da creatina com respaldo científico
A creatina monohidratada é um dos suplementos mais estudados da nutrição esportiva. As evidências apontam benefícios consistentes em algumas frentes:
- Força e desempenho: a suplementação aumenta a capacidade de realizar esforços intensos e repetidos, o que se traduz em melhor rendimento nos treinos de força e em modalidades com estímulos explosivos;
- Ganho de massa muscular: combinada ao treino de força, contribui para maior ganho de massa magra ao longo do tempo, justamente por permitir mais volume e intensidade de treino;
- Preservação muscular com o envelhecimento: estudos indicam que, associada à musculação, pode ajudar a combater a perda de massa e força que acontece com o passar dos anos;
- Possíveis efeitos cognitivos: pesquisas mais recentes investigam o papel da creatina no cérebro, com resultados promissores em situações como privação de sono, embora essa evidência ainda esteja em construção.

No método elaborado por Lucas Peralles, esses benefícios são mensurados de acordo com os objetivos de cada paciente e a etapa do processo. O suplemento pode ser uma opção viável para indivíduos que estejam buscando aumentar a massa muscular. Todavia, é importante ressaltar que o suplemento não substitui a orientação de um educador físico ou a estratégia alimentar definida por um nutricionista.
Quem pode usar e quais cuidados tomar?
Em pessoas saudáveis, a creatina monohidratada é considerada segura nas doses habitualmente estudadas, ou seja, de 3 a 5 gramas por dia. A fase de saturação, com doses mais elevadas nos primeiros dias, acelera o aumento dos estoques. No entanto, não se trata de um procedimento obrigatório. O uso diário contínuo proporciona o mesmo resultado em algumas semanas.
No início do processo, é comum observar um discreto aumento de peso, decorrente do maior acúmulo de água nas células musculares. Esse ganho não corresponde a gordura e costuma ser confundido com inchaço. Por outro lado, pacientes com doença renal ou que utilizam medicamentos que afetam a função dos rins devem realizar uma avaliação médica antes de qualquer uso.
O responsável pelo Método LP, Lucas Peralles, inclui a suplementação no acompanhamento apenas quando há coerência com o plano do paciente e com a avaliação da médica nutróloga da equipe. A lógica é evitar que o suplemento se torne o foco principal e manter o foco nos hábitos que geram resultados.
Creatina funciona quando o treino e a rotina funcionam
A creatina apresenta evidências robustas de sua eficácia, um perfil de segurança favorável e benefícios comprovados para a força, o desempenho e o ganho de massa muscular. No entanto, seu efeito depende do contexto em que é utilizado. Sem um programa de treinamento de força e sem uma alimentação adequada, o suplemento tem pouco a oferecer. Diante do exposto, é prudente ressaltar que, na avaliação de Lucas Peralles, referência em nutrição esportiva em São Paulo, a pergunta sobre a creatina deve vir depois da pergunta sobre a rotina.
Na Clínica Peralles, a suplementação é cuidadosamente avaliada em conjunto por profissionais das áreas de nutrição, medicina e treinamento, considerando a fase do paciente e o objetivo a ser alcançado. A decisão é tomada com base em exames, histórico, preferências e o momento do paciente, não se deixando influenciar pela popularidade do produto.
Em suma, a creatina é segura para pessoas saudáveis, útil para quem treina com regularidade e dispensável para quem ainda não construiu a base. Lucas Peralles, idealizador do Método LP, a considera um reforço para aqueles que já executam o essencial, nunca como ponto de partida.