Um novo golpe do falso TSE passou a usar uma página que imita o Tribunal Superior Eleitoral para cobrar R$ 47,90 via Pix por uma suposta regularização do título de eleitor. A fraude começa com a solicitação do CPF e, depois, apresenta dados pessoais verdadeiros, como o nome completo e o nome da mãe, para aumentar a aparência de legitimidade.
Segundo reportagem do InfoMoney, a fraude foi identificada pela empresa de cibersegurança ESET e divulgada em 3 de outubro de 2026. Após informar uma suposta pendência eleitoral, o site direciona o usuário para o pagamento por Pix. O uso de informações reais, porém, não confirma que a página seja oficial.
Como funciona o golpe do falso TSE
A estratégia combina elementos que costumam transmitir segurança ao usuário: identidade visual semelhante à de um órgão público, consulta por CPF e a exibição de dados pessoais. Em seguida, a página informa a existência de um débito e apresenta uma cobrança com valor definido. A vítima é pressionada a resolver rapidamente a situação por meio de uma transferência instantânea.
O Tribunal Superior Eleitoral alerta que mensagens, páginas e cobranças desse tipo podem ser fraudulentas. Em comunicado publicado em agosto de 2026, o TSE orientou os eleitores a desconfiarem de links recebidos por aplicativos de mensagens, redes sociais ou e-mail, especialmente quando houver pedido de pagamento ou fornecimento de informações pessoais.
Serviços eleitorais devem ser consultados em canais oficiais
Para verificar a situação do título, o eleitor deve acessar diretamente o portal do TSE, o Autoatendimento Eleitoral ou o aplicativo e-Título. A recomendação é digitar o endereço oficial no navegador ou utilizar os aplicativos disponíveis nas lojas reconhecidas, em vez de clicar em links encaminhados por terceiros.
De acordo com outro alerta do Tribunal Superior Eleitoral, os serviços de regularização eleitoral são gratuitos. Podem existir multas eleitorais legítimas em situações específicas, como a ausência não justificada às urnas, mas o pagamento deve seguir os procedimentos oficiais. A cobrança apresentada por uma página desconhecida não deve ser tratada como uma exigência do tribunal.
O destinatário da transação também ajuda a identificar uma tentativa de fraude. O TSE informa que, quando um débito eleitoral legítimo é pago via Pix, o recebedor deve ser o Tesouro Nacional, por meio da Secretaria do Tesouro Nacional. Transferências destinadas a pessoa física ou a uma empresa desconhecida são sinais de alerta e devem interromper o processo de pagamento.
O que fazer se o Pix já foi enviado
Quem realizou a transferência deve entrar imediatamente em contato com a instituição financeira responsável pela conta e solicitar a abertura do Mecanismo Especial de Devolução, conhecido como MED. O procedimento é usado para analisar casos de fraude, golpe ou crime envolvendo o Pix e pode permitir o bloqueio de valores ainda disponíveis na conta que recebeu o dinheiro.
Segundo as orientações do Banco Central, a devolução não é automática nem garantida. O caso depende da análise das instituições envolvidas e da existência de saldo na conta do recebedor. Por isso, a comunicação rápida ao banco aumenta a possibilidade de adoção de medidas antes que os recursos sejam movimentados.
Também é recomendável registrar um boletim de ocorrência, guardar comprovantes, capturas de tela, endereço da página acessada e mensagens recebidas. Esses registros podem ajudar na apuração do caso e no atendimento prestado pela instituição financeira. O usuário deve evitar novas interações com os criminosos e não fornecer outros documentos, senhas ou códigos de autenticação.
Como evitar novas tentativas
Antes de pagar uma suposta pendência eleitoral, confira o domínio do site e procure o serviço diretamente nos canais oficiais. Desconfie de mensagens que criam urgência, prometem regularização imediata ou informam um valor a ser quitado por meio de um QR Code ou chave Pix enviada no contato.
A aparência profissional da página e a presença de dados corretos não são provas de autenticidade. Criminosos podem obter informações pessoais em diferentes bases e usá-las para construir abordagens mais convincentes. No caso do golpe do falso TSE, a principal proteção é não realizar o pagamento a partir do link recebido e confirmar a situação eleitoral por um canal oficial.