Como as mudanças climáticas influenciam os critérios de localização de empreendimentos

Diego Velázquez
Diego Velázquez
As mudanças climáticas já impactam a decisão sobre onde construir — e Fernando Bruno Crestani explica como esses critérios afetam os empreendimentos imobiliários.

As mudanças climáticas deixaram de ser uma preocupação futura para se tornarem uma realidade presente, com impactos diretos em diversos setores da economia — incluindo o mercado imobiliário. De acordo com Fernando Bruno Crestani, especialista em inteligência territorial e planejamento urbano, o clima passou a ser um fator determinante na escolha de áreas para novos empreendimentos, influenciando desde o valor dos terrenos até a viabilidade de infraestrutura.

Riscos climáticos e valorização territorial

Com a intensificação de eventos extremos, como enchentes, secas prolongadas, deslizamentos e ilhas de calor, empreendedores e investidores passaram a reavaliar os critérios tradicionais de localização. Segundo Fernando Bruno Crestani, hoje é essencial mapear e prever os riscos climáticos antes de qualquer decisão sobre novos empreendimentos — sob pena de comprometer não apenas a rentabilidade, mas também a segurança dos futuros moradores.

Áreas suscetíveis a enchentes, por exemplo, tendem a desvalorizar mais rapidamente e exigir investimentos maiores em drenagem e adaptação. Já regiões com maior cobertura vegetal e ventilação natural tornam-se mais atrativas, especialmente em grandes centros urbanos, onde o aquecimento local é crescente.

Inteligência territorial como ferramenta de prevenção

A tecnologia desempenha um papel crucial nesse novo cenário. Ferramentas de geoprocessamento, sensores climáticos e análise preditiva ajudam incorporadoras a identificar zonas de risco, cruzar dados históricos de eventos extremos e modelar cenários futuros com maior precisão. Conforme aponta Fernando Bruno Crestani, essa inteligência territorial permite decisões mais seguras, sustentáveis e alinhadas aos princípios ESG.

Além disso, o uso de dados climáticos nas etapas iniciais do projeto evita gastos com obras corretivas no futuro e contribui para a criação de empreendimentos resilientes, capazes de se adaptar a um ambiente em constante transformação.

Infraestrutura urbana sob pressão

As mudanças no regime de chuvas, o aumento das temperaturas médias e a escassez hídrica têm pressionado sistemas urbanos já fragilizados. Por isso, a localização dos empreendimentos também passou a considerar a proximidade de soluções de infraestrutura adaptada ao novo clima — como reservatórios de retenção, corredores verdes, uso de energia limpa e saneamento eficiente.

Fernando Bruno Crestani analisa como fatores ambientais vêm moldando a escolha de localizações mais resilientes e sustentáveis para novos projetos.
Fernando Bruno Crestani analisa como fatores ambientais vêm moldando a escolha de localizações mais resilientes e sustentáveis para novos projetos.

Fernando Bruno Crestani frisa que o planejamento urbano precisa dialogar com a ciência do clima. Cidades que incentivam empreendimentos em áreas ambientalmente frágeis tendem a enfrentar problemas estruturais e sociais em médio prazo, o que pode gerar perdas financeiras e reputacionais para todos os envolvidos.

Impactos nos padrões de consumo e moradia

Outro reflexo das mudanças climáticas é a transformação das preferências do consumidor. Imóveis mais arejados, com sistemas de captação de água da chuva, painéis solares e arborização passaram a ser mais valorizados. Regiões com maior conforto térmico natural também ganharam destaque entre famílias que buscam qualidade de vida e menor dependência de sistemas artificiais de climatização.

De acordo com Fernando Bruno Crestani, essa mudança no comportamento do consumidor exige das incorporadoras um olhar mais estratégico sobre os atributos ambientais da localização. Mais do que conveniência urbana, o novo comprador busca resiliência ambiental.

Legislação e responsabilidade socioambiental

Diversos municípios e estados já começaram a incorporar critérios climáticos em suas legislações urbanísticas. Licenças ambientais, planos diretores e códigos de obras têm exigido estudos de impacto climático como parte do processo de aprovação de empreendimentos. Assim como destaca Fernando Bruno Crestani, adaptar-se a essa nova exigência não é apenas uma questão de conformidade, mas uma oportunidade de inovar e agregar valor aos projetos.

A responsabilidade socioambiental, nesse contexto, passa a ser também uma estratégia de negócio. Incorporadoras que integram a questão climática desde o início do projeto reduzem riscos legais, atraem investidores atentos ao ESG e constroem uma imagem positiva diante do mercado.

Localização estratégica em tempos de instabilidade climática

As mudanças climáticas estão moldando uma nova lógica para o setor imobiliário. O que antes era considerado localização privilegiada apenas por acesso e infraestrutura, agora precisa ser analisado sob a ótica da sustentabilidade, da resiliência e do clima futuro.

Incorporadoras que souberem interpretar esses sinais e adaptar suas estratégias estarão à frente. Como ressalta Fernando Bruno Crestani, o futuro da localização não será definido apenas por CEP ou vista privilegiada, mas pela capacidade de antecipar riscos e oferecer soluções que protejam pessoas, investimentos e o planeta.

Autor: Ejax Papher

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