O mercado brasileiro de derivativos poderá ganhar uma nova infraestrutura de negociação e liquidação no segundo trimestre de 2027. A fintech A5X concluiu uma rodada Série D de R$ 360 milhões e prepara uma operação que pretende disputar espaço em um segmento atualmente concentrado na B3. O movimento coloca no centro da discussão não apenas o crescimento de uma empresa de tecnologia financeira, mas também a possibilidade de ampliar a concorrência na estrutura que sustenta as operações do mercado.
De acordo com o Startups, a rodada foi liderada por Morgan Stanley, Goldman Sachs e Kaszek. Também participaram investidores que já integravam o quadro societário da companhia, como IMC, Jump Trading, Optiver, XTX Markets e ABN AMRO Clearing. A XP exerceu uma opção de compra e passou a fazer parte da base de investidores da A5X.
O que a A5X pretende construir
Criada em 2023 por executivos com passagem pela XP e pela Ideal, a A5X desenvolve uma estrutura própria para atuar no mercado brasileiro de derivativos. A proposta envolve oferecer sistemas para negociação e liquidação desses contratos, funções essenciais para o funcionamento organizado das operações financeiras.
Para viabilizar o projeto, a empresa combina tecnologia própria com soluções de negociação e clearing do London Stock Exchange Group, grupo responsável pela Bolsa de Londres. A estratégia indica que a fintech busca atuar em uma camada de infraestrutura do mercado, e não somente oferecer um produto financeiro diretamente ao consumidor.
Na prática, uma infraestrutura desse tipo é usada para registrar, organizar e liquidar operações realizadas por participantes do mercado. Como a A5X ainda prevê iniciar as atividades no segundo trimestre de 2027, a captação será utilizada durante o período de preparação tecnológica, operacional e regulatória.
Recursos devem sustentar a operação até o equilíbrio
Parte dos R$ 360 milhões será destinada a financiar a operação até que a companhia alcance o ponto de equilíbrio. Entre as necessidades previstas estão as exigências de capital regulatório e a expansão da estrutura tecnológica necessária para colocar o projeto em funcionamento.
Esse uso dos recursos diferencia a rodada de uma captação voltada apenas à expansão comercial imediata. Antes de iniciar as atividades, a A5X precisará estruturar uma operação capaz de atender aos requisitos associados à negociação e à liquidação de derivativos, além de ampliar os sistemas que darão suporte ao mercado.
A rodada também elevou a avaliação da empresa para R$ 2,7 bilhões. Desde a fundação, a A5X passou a acumular mais de R$ 730 milhões captados, considerando o novo aporte e as rodadas anteriores. O valor da avaliação e a presença de investidores globais mostram o interesse financeiro no desenvolvimento de novas infraestruturas para o mercado de capitais brasileiro.
Possível efeito sobre a concentração do segmento
Atualmente, a B3 concentra a infraestrutura do mercado brasileiro de derivativos. A entrada planejada da A5X poderá criar uma alternativa nesse segmento, embora a empresa ainda esteja em fase de preparação e só tenha previsão de começar as operações em 2027.
Uma eventual mudança na estrutura do mercado dependerá da capacidade de a fintech concluir sua preparação tecnológica, atender às exigências regulatórias e atrair participantes para a nova plataforma. A captação oferece recursos para essa etapa, mas não representa, por si só, o início das operações nem garante a adesão de instituições e operadores.
Para o mercado financeiro, a iniciativa reforça a expansão das fintechs brasileiras para áreas que vão além de pagamentos, crédito e serviços voltados ao público final. Nesse caso, a empresa pretende atuar nos bastidores das negociações, fornecendo sistemas e processos necessários para o funcionamento de um segmento especializado.
Próximos passos até 2027
O cronograma anunciado pela A5X aponta o segundo trimestre de 2027 como janela para o início das atividades. Até lá, a companhia deverá utilizar os recursos da Série D para financiar a operação, cumprir as exigências de capital regulatório e ampliar sua base tecnológica.
A conclusão da rodada não altera imediatamente a forma como pessoas físicas ou empresas realizam operações financeiras. O principal efeito, neste momento, é a preparação de uma possível nova participante na infraestrutura de derivativos do país. Se o plano avançar, a competição poderá ser acompanhada por instituições financeiras e demais participantes interessados nas condições de negociação e liquidação oferecidas pela nova estrutura.
O caso da A5X mostra como o capital de investidores internacionais está sendo direcionado também para a construção de sistemas financeiros, e não apenas para aplicativos ou serviços de relacionamento com clientes. A empresa ainda terá de transformar o aporte em uma operação funcional antes de disputar efetivamente espaço com a infraestrutura existente.