Indicadores de desempenho na indústria plástica: Como os dados podem tornar a gestão da fábrica mais eficiente? Confira neste artigo 

Conrad Ellstrom
Conrad Ellstrom
Elias Assum Sabbag Junior

É possível que uma linha de extrusão opere durante todo o expediente e ainda assim entregue menos do que o seu potencial máximo. É a partir dessa constatação que Elias Assum Sabbag Junior, empresário do ramo de embalagens plásticas, defende o uso sistemático de indicadores de desempenho, capazes de mostrar onde a capacidade produtiva está sendo perdida e quais decisões de gestão trariam maior retorno.

No setor de transformação de plásticos, o volume produzido individualmente pode não refletir adequadamente a eficiência da operação como um todo. Paradas não planejadas, trocas de produto demoradas e peças fora de especificação consomem tempo, energia e matéria-prima, porém não aparecem de forma clara nos relatórios de produção. A medição dessas perdas constitui o primeiro passo para reduzi-las.

Segundo o especialista em embalagens plásticas Elias Assum Sabbag Junior, a escolha dos indicadores deve partir das prioridades do negócio. Uma fábrica com alta variedade de produtos deve acompanhar de perto as trocas de linha, enquanto uma operação de grandes lotes tende a concentrar a atenção em disponibilidade de máquina e consumo de matéria-prima.

Os indicadores que revelam a eficiência da operação

Dentre os fatores avaliados, o mais abrangente deles é a eficiência global dos equipamentos, conhecida pela sigla OEE. O indicador combina três fatores: a disponibilidade da máquina, o desempenho em relação à velocidade nominal e a qualidade das peças produzidas. Uma linha pode apresentar boa disponibilidade, porém, se operar abaixo da velocidade prevista ou gerar muitas perdas, pode ter resultados insatisfatórios.

O índice de refugo deve ser acompanhado de forma sistemática. Embalagens plásticas, por exemplo, representam um custo significativo para a empresa. Cada peça descartada representa resina comprada, energia consumida e horas de máquina sem faturamento correspondente. Portanto, a redução desse indicador impacta imediatamente a margem da operação.

De acordo com Elias Assum Sabbag Junior, o tempo de setup constitui um indicador decisivo em fábricas que produzem produtos sob medida. Quando uma mesma linha atende a pedidos com diferentes dimensões e especificações, como na produção de embalagens de plástico corrugado, a agilidade na troca de ferramentas e ajustes define quanto da jornada é efetivamente dedicada à produção.

O consumo de energia por quilo produzido complementa o panorama operacional. Os processos de extrusão demandam aquecimento contínuo. Acompanhar esse indicador é essencial para identificar equipamentos com desempenho abaixo do esperado e avaliar o retorno de investimentos em eficiência energética.

Elias Assum Sabbag Junior
Elias Assum Sabbag Junior

Da medição à decisão gerencial

É imprescindível ressaltar que indicadores somente geram resultados quando orientam decisões. Um índice de refugo elevado, por exemplo, pode indicar falhas em processos de manutenção, variações na qualidade da matéria-prima ou ajustes inadequados no processo produtivo. Para cada causa, a gestão deve responder de maneira específica.

Elias Assum Sabbag Junior salienta a importância de que os números sejam acompanhados por quem está próximo da operação. Quando operadores e líderes de turno estão familiarizados com os indicadores de sua linha e participam ativamente da análise das perdas, as soluções tendem a surgir de maneira mais rápida e com maior adesão da equipe.

A frequência de acompanhamento também influencia a eficácia do sistema. A análise de indicadores apenas no fechamento mensal revela problemas tarde demais, enquanto o acompanhamento diário ou por turno permite corrigir desvios antes que se transformem em perdas relevantes ou em atrasos de entrega.

Os indicadores comerciais e de atendimento complementam essa visão. A pontualidade nas entregas, o índice de reclamações e o prazo de desenvolvimento de novos produtos demonstram como a eficiência interna é percebida pelo cliente, o que é especialmente relevante em contratos de fornecimento contínuo com a indústria.

Medir para gerir com precisão

Por fim, a gestão por indicadores possibilita que a indústria plástica identifique com precisão as suas perdas e as melhorias com maior retorno. A eficiência dos equipamentos, o refugo, o setup e o consumo de energia formam a base de uma leitura operacional consistente, complementada por indicadores de atendimento ao cliente.

A experiência de Elias Assum Sabbag Junior no setor reforça que o valor dos números está no uso que se faz deles. Uma fábrica que mede, analisa e age com regularidade transforma dados de produção em decisões de gestão e constrói, a cada turno, uma operação mais eficiente e previsível.

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