Investimentos tecnológicos do setor bancário cresceram 58% em cinco anos; inteligência artificial, cibersegurança e computação em nuvem ganham prioridade enquanto 83% das transações já acontecem pelos canais digitais.
Os bancos brasileiros devem destinar R$ 50,4 bilhões à tecnologia em 2026, consolidando uma transformação que vem modificando a forma como milhões de pessoas utilizam serviços financeiros no país. A estimativa faz parte da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, realizada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) em parceria com a Deloitte. Em cinco anos, o orçamento tecnológico das instituições cresceu aproximadamente 58%, enquanto somente na comparação com 2025 a previsão representa avanço de cerca de 8%. (Febraban Portal)
Os números voltaram ao centro das atenções nesta segunda-feira, 24 de agosto de 2026, com o início da FEBRABAN TECH 2026, no Distrito Anhembi, em São Paulo. O evento ocorre até quarta-feira (26) e reúne executivos dos principais bancos, empresas de tecnologia, especialistas e autoridades para discutir inteligência artificial, meios de pagamento, segurança digital, Open Finance e novas arquiteturas tecnológicas. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, está entre os participantes da abertura. (Febraban Portal)
Tecnologia passa a ocupar posição estratégica nos bancos
O orçamento de R$ 50,4 bilhões mostra que tecnologia deixou de funcionar apenas como uma estrutura de apoio aos bancos e passou a fazer parte diretamente da estratégia das instituições. Sistemas de inteligência artificial, infraestrutura em nuvem, ferramentas de análise de dados e soluções de segurança são utilizados para atender clientes, analisar operações, automatizar atividades e desenvolver novos produtos financeiros.
A expansão é significativa quando observada em perspectiva. Segundo a pesquisa da Febraban, o orçamento tecnológico do setor aumentou aproximadamente 58% nos últimos cinco anos. Cibersegurança aparece como uma das prioridades: 100% das instituições participantes do levantamento atribuíram relevância alta ou média ao tema. Cloud e inteligência artificial generativa também aparecem entre as agendas estratégicas dos bancos. (UOL Economia)
Esse movimento ocorre em um setor particularmente dependente de infraestrutura digital. Bancos precisam manter sistemas funcionando continuamente, processar grandes volumes de operações em tempo real e, ao mesmo tempo, proteger informações financeiras sensíveis. Por isso, uma parcela dos recursos tecnológicos precisa ser destinada não apenas ao desenvolvimento de novos produtos, mas à modernização de sistemas existentes, armazenamento de informações, capacidade computacional e proteção contra ataques.
83% das transações bancárias já são digitais
O investimento acompanha uma mudança profunda no comportamento dos clientes. Em 2025, 83% das transações bancárias realizadas no Brasil ocorreram pelos canais digitais, considerando mobile e internet banking. Foram 240,8 bilhões de transações contabilizadas nos diferentes canais de atendimento durante o ano. (Febraban Portal)
O celular concentra a maior parte desse movimento. 78% de todas as transações bancárias foram realizadas pelo mobile banking, chegando a 187,5 bilhões de operações em 2025. Em apenas cinco anos, o volume de transações realizadas pelo celular aumentou 169%, segundo a Febraban. (Febraban Portal)
Esse comportamento ajuda a explicar por que aplicativos bancários se tornaram uma das principais frentes de investimento das instituições financeiras. Operações que anteriormente exigiam deslocamento até uma agência — transferências, pagamentos, contratação de produtos, consulta de investimentos e diferentes solicitações — passaram progressivamente para smartphones e outros canais digitais.
Inteligência artificial entra em nova fase no sistema financeiro
A inteligência artificial é uma das tecnologias que mais ganham espaço nessa transformação. O tema ocupa posição central na FEBRABAN TECH deste ano, realizada sob o mote “Agentes Inteligentes, Liderança Humana”. A discussão passa agora pelo desenvolvimento de agentes capazes de executar etapas de processos de maneira mais autônoma, mas sob regras e supervisão estabelecidas pelas instituições. (Febraban Portal)
Para os bancos, as aplicações possíveis são amplas. Sistemas inteligentes podem ajudar na análise de grandes volumes de informações, atendimento, produtividade interna, prevenção de fraudes e identificação de padrões incomuns em operações financeiras. Ao mesmo tempo, a adoção dessas ferramentas aumenta a necessidade de governança, transparência e mecanismos de controle.
O desafio será combinar ganho de produtividade com confiança. Decisões financeiras podem ter consequências relevantes para consumidores e empresas, o que torna especialmente importante estabelecer quando uma atividade pode ser automatizada e quando precisa permanecer sob avaliação humana.
Cibersegurança cresce junto com digitalização
Quanto mais operações migram para a internet, maior também se torna a importância da segurança digital. A pesquisa da Febraban mostra que cibersegurança é uma prioridade para todas as instituições consultadas, refletindo a preocupação do setor com golpes, invasões, roubo de credenciais e outras modalidades de fraude. (UOL Economia)
Um dos desafios é que a própria inteligência artificial pode atuar nos dois lados dessa disputa. Bancos podem utilizar modelos avançados para identificar comportamentos suspeitos rapidamente, mas criminosos também podem recorrer a novas tecnologias para criar golpes mais sofisticados, automatizar abordagens e produzir conteúdos falsos mais convincentes.
A tentativa recente de fraude envolvendo uma empresa ligada à Stone ilustra a dimensão financeira dos riscos. Uma operação suspeita tentou desviar aproximadamente R$ 350 milhões em pagamentos de cartões. Segundo Febraban e Associação Brasileira de Bancos, as instituições foram alertadas e as operações afetadas foram bloqueadas e suspensas, sem prejuízos registrados para bancos ou clientes. (Folha de S.Paulo)
Digitalização muda até o papel das agências
A transformação tecnológica também produz consequências econômicas fora do ambiente virtual. Dados recentes mostram que 83% das operações são digitais, enquanto agências e caixas eletrônicos respondem atualmente por uma parcela muito menor das transações do que há alguns anos. (UOL Economia)
Essa transformação ajuda a explicar a redução da rede física bancária brasileira. Em uma década, o país perdeu aproximadamente 37% de suas agências, chegando a pouco mais de 14 mil unidades no início de 2026. A digitalização permite que instituições reduzam custos e atendam clientes remotamente, mas também cria uma discussão sobre acesso aos serviços para idosos, pessoas com menor familiaridade tecnológica e moradores de regiões onde o atendimento presencial é limitado. (Folha de S.Paulo)
A tendência indica, portanto, que o banco do futuro não será apenas um aplicativo mais sofisticado. As instituições precisarão decidir quais atividades devem ser totalmente digitais e quais situações continuam exigindo atendimento humano, especialmente em operações complexas ou envolvendo consumidores vulneráveis.
FEBRABAN TECH coloca futuro dos bancos em discussão
A dimensão dessa transformação explica a importância da FEBRABAN TECH 2026. O encontro começou nesta segunda-feira (24) e segue até 26 de agosto, reunindo dirigentes de Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Nubank, Santander, Caixa e BTG Pactual, além de representantes do Banco Central e especialistas brasileiros e internacionais. (UOL Economia)
Além da inteligência artificial, a programação aborda Open Finance, Drex, stablecoins, computação em nuvem, meios de pagamento e finanças sustentáveis. Esses temas mostram como as fronteiras entre tecnologia e sistema financeiro estão cada vez menores: praticamente todas as grandes transformações previstas para os próximos anos dependem de infraestrutura digital. (UOL Economia)
Com R$ 50,4 bilhões previstos para tecnologia em 2026, o sistema bancário brasileiro entra em uma nova etapa dessa corrida. A disputa não envolve apenas oferecer o aplicativo mais completo, mas construir infraestrutura capaz de processar bilhões de operações, proteger clientes, incorporar inteligência artificial e responder rapidamente às mudanças nos hábitos financeiros dos brasileiros.
O avanço tecnológico também cria um desafio para as próprias instituições: transformar investimentos bilionários em serviços mais eficientes e seguros sem perder a confiança dos clientes. Com 83% das transações já realizadas digitalmente, tecnologia deixou definitivamente de ser uma área paralela do sistema bancário e passou a representar uma parte central do próprio negócio.
Fontes
Febraban — Pesquisa de Tecnologia Bancária 2026 e transações digitais
Febraban — resultados da Pesquisa de Tecnologia Bancária 2026
Febraban — abertura da FEBRABAN TECH 2026
UOL Economia — CEOs dos maiores bancos discutem IA na FEBRABAN TECH 2026